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Letícia Medeiros de Oliveira

Letícia Medeiros de Oliveira

O que seus amigos não contaram sobre mim.

Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que adoram se misturar às luzes e sons na pista de dança depois da tequila. Seus amigos acertaram em cheio sobre eu me esbaldar nas boates. Sim, sim, também é muita verdade que eu cumprimento os meus amigos gays com selinho e flerto com o barman para ganhar mais chopes do que o dinheiro permite. E eles também acertaram quando te contaram que você não foi o meu primeiro beijo naquele dia em que nos conhecemos, apesar do equívoco em relação aos números. Não foram três ou quatro caras. Foram dois, e você foi o grande achado no fim da noite depois de eu ter largado um tapado que usava alargador.

Tabuada, aliás, parece ser o maior problema do implacável tribunal do Clube do Bolinha. Diferente do que eles testemunharam no julgamento sem ré presente, eu não dei pra todo o bairro. Veja só: eles moram por aqui, e eu nunca dei para nenhum deles, por exemplo. Números podem até ser um problema na vida dos seus amigos, mas eles são bons com exagero. Como eles são do tipo que multiplica por três o número de caras que a gente conta que já foi para cama, pode avisar na próxima reuniãozinha que foram dois. Nem vai precisar de calculadora.

O que acontece é que eu sou livre, alegre e, principalmente, eu sou solteira. Eu gosto de me curtir, me maquiar, me passar cremes e me sentir bonita – toda mulher gosta disso. Amo dançar. Amo tanto que penso que fui bailarina em outra vida. Adoro beber chope com os amigos compartilhando problemas, conselhos e risadas. Gosto de beijar na boca. E, pra ser mais sincera, só não faço mais sexo porque até uma mente aberta como a minha se incomoda com essa falação despropositada de gente como seus amigos. Infelizmente essas coisas ainda machucam um pouco.

Eles não sabem, mas eu chorei trancada no quarto depois que você me falou que estava na dúvida sobre nós dois após conversar com a sua turma. Que tinha amado a nossa noite e me achava especial demais para não receber uma explicação sobre o seu sumiço repentino. Eles também não te contaram, mas eu sou boboca por natureza. Sou um moleque de saia. E por trás de todo o rímel e as tatuagens, existe uma menina que gosta de jujuba, pijama da Disney e músicas da Sandy. E quando estou em um relacionamento sério, eu levo mesmo a sério com toda a entrega, fidelidade, paixão e carinho. E eles também não falaram (porque eles nem poderiam saber), mas as minhas dancinhas vão muito além das pistas das boates. Só depois de meia hora de baixo astral, eu percebi o quanto era bobo isso tudo, me dei dois tapas na cara, liguei o som bem alto, e me lembrei daquela máxima bobinha de que a gente nunca perde o que nunca teve. Apaguei todas as mensagens, na esperança de apagar da memória.

Mas você não vai conhecer as minhas dancinhas, ou o meu pijama da Minnie, ou dividir o mesmo pacote de jujubas enquanto assistirmos a um filme ruim de terror qualquer. Também não vai rolar de rir junto depois que a gente conseguir doses extras na boate, por causa do meu flerte todo atrapalhado com os garçons. Deve ser difícil ficar dividido entre a atração inevitável que aconteceu entre a gente e os julgamentos cruéis dos seus amigos. Mas tudo isso aqui não é para fazer você me escolher. É apenas para dizer que eles não te contaram que sou dessas mulheres que não sabem lidar com meio termo. Não gosto de indecisões, de enrolas, de historinhas, de disse-que-me-disse. Então vá com a sua turma. E, enquanto eles distribuem atestados de vagabunda festas afora, eu vou seguir com o meu rebolado, o meu riso fácil e a esperança de que a vida sempre guarda o melhor pra gente.

Sabe o que eles também não te contaram? O homem tem que ser muito homem para ter uma mulher como eu.

- Igor Luz

7 coisas sinceras que você deveria dizer a ela.

1. Você deveria olhar pra ela e notar o conjunto que ela representa, pelo menos uma vez na vida. Surpreender aquele ar dela de que tudo é previsível e disparar uma frase simples, sem muito detalhe, de como você nunca tinha percebido como os olhos dela ficam mais iluminados quando o sol bate na bochecha direita e ela cora. Diz pra ela o modo como você a vê.

2. Conta pra ela como foi o seu dia. Esquece da resposta automática que você daria a qualquer um e se mostra logo. Diz que o dia foi uma bosta, que o teu chefe encheu o saco mais uma vez, que o almoço chegou frio e que a reunião de duas horas te deu uma dor de cabeça tremenda. Fala pra ela, mas fala sem raiva e agradece no fim da conversa por ela ter te ouvido.

3. Diz pra ela as coisas que você gosta nela e dá mais importância a isso do que as coisas que não gosta. Chega de mansinho quando ela estiver brava e desarma a bravura dela com um beijo na testa e um abraço apertado com direito a “me desculpa, amor” sussurrado no ouvido. Sussura como se você dependesse disso.

4. De vez em quando, explica pra ela por que você ficou. Fala daquele estalo, aquele mesmo que você sentiu quando soube que era ela, aquela coisa bonita que você esconde dos seus amigos por se achar abobalhado, mas conta isso pra ela. Vai mudar o dia dela fazendo com que ela saiba o que a faz especial.

5. Diz pra ela um pouco de silêncio. Foca em caminhar com os dedos e com o lábio pelo colo, pelo ombro, pelas costas e respira fundo. 1, 2, 3 e inspira um pouco dela pra dentro. Esquece da necessidade de falar o tempo todo e aproveita um pouco dela numa luz baixa e numa cama pra dois. Como num filme, escolhe uma trilha sonora – real ou imaginária – e monta seu romance particular. Com ou sem vinho, num canto cheio de afeto. E olha dentro dos olhos dela.

6. Se algum dia, no meio do expediente ou da aula de física da faculdade, você ouvir um trecho de alguma coisa no iPod e se lembrar dela, declama. Declama que foi Paramore, que foi Los Hermanos, que foi Pixies numa versão acústica deliciosa que te fez lembrar das férias no Sul e no jeito com que ela fica engraçada mexendo os dedos em luvas de inverno. Compartilha com ela as memórias e cria novas, usa o passado e o que vocês são pra construir um presente mais doce e diz. Diz tudo o que vier à mente, não segura muito não, diz mais “eu sinto” do que “eu também” e esquece a timidez. Se não for dizer, escreve. Escreve assim, como eu, desprezando o imperativo porque tá tentando ser gentil com ela.

7. Diz tudo isso ou algo que nem tá aqui, mas só diz se for sincero mesmo. E se isso puder fazê-la, de um modo ou de outro, um pouco mais feliz.

- Daniel Bovolento.

Olha para ela inteira.

(…)

Atração é muito mais que um peito ou uma bunda, amigo.

Olha pra ela inteira. Olha esse sorriso que ela dá quando te vê – seja ela tua namorada ou teu flerte. Olha o jeito que ela acorda, toda bagunçada, mas linda. Olha para esse amontoado de curvas ou retas que vão te receber como nenhum outro corpo. A beleza real precisa de mais do que uma olhada rápida para ser realmente vista. Fosse assim, o mundo seria um grande Tinder: essa eu quero, essa eu não quero.

Aceite sua celulite, suas gordurinhas ou o raio que o parta. Aceite isso porque faz parte de você, e alguém que não te quer por inteira não deve ter nenhum pedaço teu. Mais importante: se quiser mudar, mude por você, na o pelo que os outros te dizem – sejam os outros o teu namorado ou a TV. Se você não sentir-se feliz por quem você é, seja lá como for, irá esconder tudo que tem de bonito em você. Entre quatro paredes a autoconfiança dá muito mais tesão que uma barriga lisinha ou um par torneado de coxas.

E você, rapaz que acredita ser o centro do mundo das mulheres e que elas precisam estar do jeito que você deseja: cresça, bicho. Isso é soberba e imaturidade – e eu te garanto: nenhuma barriga tanquinho vai impedir uma mulher de broxar contigo se você continuar pensando assim.

- Lucas Baranyl

Você vai perdê-la.

Existem alguns tipos de mulheres que você vai encontrar na vida. Tem aquelas que te fazem enlouquecer por uma noite. Tem aquelas que vão chegar e vão te fazer esquecer todas as outras. Tem também aquelas que você acredita que quer passar a vida toda ao lado delas. E, ainda, aquelas que você realmente vai ter certeza que vai passar a vida toda lado a lado. E tem as mulheres incríveis.

As mulheres incríveis não são como as que você sempre sonhou. Elas são bem mais. Geralmente elas chegam no momento em que você, por alguma razão, não vai conseguir segurar a bronca. Você vai perdê-la. E, pior, o que vai ficar na lembrança não será a razão de tudo acabar, mas sim os bons momentos. No caso dela, os momentos incríveis. E lembrar desses momentos é bem mais doloroso, acredite.

Lembro cada segundo que vivi ao lado da minha mulher incrível. A gente naquele pub, ela de blusa azul, os cabelos loiros, olhos hipnotizantes, vindo me abraçar, o beijo mais intenso da vida. O riso solto, aquela boca toda aberta, gostosa. O apetite quase-macho para cerveja e cachaça. A dançadinha sexy ao som do rock naquele pub, alta noite, cabelos de lado. E ela ainda sabe tudo de futebol, rock and roll. Os momentos em que ela deixava de ser amulher-fatal-incrível pra ser só uma menina que quer um ombro – ali, o meu. E você realmente acredita que o mundo é bacana.

Ela quase ter sido sua é muito pior do que ela nunca ter sido. O que é ter do seu lado tudo aquilo que sempre desejou que Deus fizesse daquela parte da sua costela. Loira, sarcástica, cheia de frases, definições e comportamentos. Atrevidos, apaixonantemente tímidos, quando lhe convém. Impõe sua presença. Conhece as regras tanto de um jantar cinco estrelas como de uma trepada num pulgueiro qualquer, alta madrugada. Ela é um tratado. Ela é rock and roll. Ela é uma Zelda Fitgerald moderna. Por ela até eu, coração alvinegro, fiquei com mais simpatia pelo Palmeiras. Como disse, ela é mais, mais até do que a rivalidade clubística. E ela quase foi minha.

Quando a vida aperta, são esses momentos com a minha mulher incrível que eu lembro. Dói, mas, ei, é por isso que a gente está nessa vida. Se em algum momento você tem alguma dúvida se a vida vale, são momentos como esses que atestam que sim. Sua esperança é que eles em algum ponto futuro se repitam. A vida vale.

Te lembrou alguma coisa, caro leitor? Você já passou por uma mulher dessa? Ela está aí, enquanto você lê esse arrazoado de qualidade duvidosa, circulando só de calcinha e camiseta da Patti Smith? Aproveite, guarde esse momento. Cedo ou tarde ela vai embora e a culpa vai ser sua. Mas como ela é incrível, vai viver sem mágoas, ser sua amiga, vai te chamar para tomar cerveja, bater papo, você vai nutrir a esperança de um novo encontro pelos anos seguintes. Até ela te dar um fora, como a minha fez, altamente educada e sutil, dizendo coisas como “tive que ir embora, mas te considero muito”. “Te considero muito”, da boca dela, é bem pior do que o “gosto de você como amigo” daquela paixão adolescente.

E dessas paixões, como diz o amigo Xico Sá, só vão ficar as memórias e o gosto da vodka que te ajudou a afogar as mágoas. Como o mestre ensinou, o segredo é tocar adiante, porque “não há guarda-chuvas para o amor. Não há barcos, salva-vidas, só perdição e enchentes”.

Quando se perde uma mulher incrível, não é só uma derrota, é uma vida. Ela vai arrancar suas vísceras afetivas e mesmo assim você não vai deixar de sonhar com ela. As minhas vísceras ela arrancou via telefone, na chamada mais dolorosa que já ouvi. Fiquei um bom tempo sentado na calçada, telefone desligado, amaldiçoando a sorte e Graham Bell.

Mas vale. Encare. Sofra. Bote pra fora. De uma forma bem melhor do que eu com essas mal traçadas. Depois me conte. Depois dela, seu coração estará calibrado para tudo. Ou quase.Se ela reaparece, você casa.

- Alexandre Petillo

A história que eu queria ter contado.

Teria Beatles no rádio. Meu vestido estaria jogado ao lado do sofá e eu vestiria sua camisa velha de uma banda de rock – que você desconhecia de propósito. Eu esticaria minhas pernas no seu colo e você colocaria sua mão sob a minha coxa em uma mania silenciosa de me fazer te pertencer. E então eu falaria com a voz baixa e trêmula que, cara, eu não tenho ideia do que tô fazendo da minha vida. Você riria e beijaria minha mão sem tirar os olhos de mim. E diria, com aquele seu sotaque que eu tanto amava, que ninguém nunca sabe mesmo o que tá fazendo da vida. Isso me acalmaria pelo simples fato de ser você – meu ponto de partida e chegada numa vida de eternos voos. Eu focaria nisso: o quanto você me fazia bem. Mais nada.

O telefone tocaria e seria sua irmã dizendo que vai casar e quer saber se me convida. Você finalmente vai ficar com esta, não é? E eu não ouviria você ao telefone indeciso, falando que talvez não, que talvez acabe mês que vem, que a gente não tem muito a ver. Eu não teria prestado atenção na sua conversa, nem no seu olhar furtivo, nem nas suas mãos balançando sem parar. Eu não teria alimentado minhas neuras, nem sentido meu coração partindo ao reparar que só eu tava ali, tentando. Eu teria fingido que sabia o tanto que você me amava, apesar de tudo (mesmo que eu não soubesse).

Eu não teria começado aquele papo pra saber se o que você sentia por mim era amor ou só tesão passageiro. Eu teria jogado sujo e te puxado pro quarto pra gente parar de falar. Porque, se com as palavras a gente não se dava tão bem, nossos corpos sempre se entenderam direitinho. E se aquilo, logo aquilo, tudo aquilo, não era amor, então talvez eu nunca saiba merda nenhuma deste sentimento.

Eu teria te acordado com um beijo na nuca e a gente começaria o dia rindo. E nada de briga por causa da toalha, da tampa da privada, do prato quebrado e do amor socado na gaveta sem dobrar. Eu teria ignorado suas contradições de querer liberdade e não-compromisso, mas, ao mesmo tempo, morrer de ciúme dos meus amigos. Eu não teria brigado por você não saber o que raios queria de mim. Eu não teria te empurrado na parede e te feito escolher se era amor, se eram dois dias na semana com vinho barato, se era dormir de conchinha ou se nem era nada.

Eu teria me segurado e não teria cobrado tanto. Eu teria aceitado que você não me dava o mesmo que eu tentava te dar. Eu teria fingido que não via, que não ouvia, que não sentia. Eu teria disfarçado minha insegurança com sorrisos, meu ciúme com outros beijos e meu medo de te perder com mais abraços. E, quem sabe assim, você não teria fugido, não teria se afastado, não teria provado ser o babaca que todo mundo sempre disse que você era e que eu sempre empurrei pra baixo do tapete.

Teria Beatles e vinho e mãos aqui e ali. Não teriam as ofensas, nem a certeza de que eu nunca queria ter te encontrado na minha vida. Não teria sal no rosto, nem teria meu amor jogado pela janela como se fosse objeto desimportante. Teriam as conversas, os abraços, o sexo e uma lembrança linda. Não teria o final feliz, mas também não teriam todos os gritos. E, quando alguém me perguntasse, eu iria poder dizer tranquila que acabou, mas a gente tinha se amado.

E era esta a história que eu queria ter contado.

- etc

A lição mais importante que você tem que aprender.

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"Mulheres gostam de verdades. Mas não acreditarão fielmente de que teu celular estava sem bateria, de que teus amigos gostam dela ou de que tua ex-namorada não significa mais nada para você. Mulheres gostam de maquiagens sutis e cabelos bem lisos. Mulheres têm olhos angelicais e diabólicos.

Ambos funcionarão com você. Ambos te levarão ao céu ou ao inferno. Mulheres são péssimas motoristas. Mas são ótimas condutoras.

Mulheres que não bebem são boas. Já as que bebem são ótimas. Mulher anda como quem desfila. Como quem grita por aí tua tendência a ser Miss quarteirão de todos os anos.

Melhor do que perfume caro é cheiro de banho tomado. E, também, o cheiro da pele suada que empresta sua essência às camisolas mais leves. Melhor do que vestidos da moda são as nossas blusas sociais mais sortudas - aquelas que por algum motivo foram esquecidas na segunda gaveta e agora faz parte do cabide principal feminino.

Melhor do que cabelos alisados é rabo de cavalo ou fios inteiramente despenteados. Mulher deve dormir encolhida e acordar quase te expulsando da cama.

Mulheres que xingam são mais atraentes. Mas não xingue como um ser depravado. Mulher tem que ter pudor para saber como não tê-lo nas horas certas.

Mulher não precisa saber cozinhar. Mas cabem algumas tentativas frustradas.

As bonitas que me desculpem, mas lindas são as mulheres inteligentes. Mulher tem que ser interessante, mas nunca interesseira.

Imperfeições são sempre bem-vindas. Uns centímetros a mais na cintura. Uns dedos dos pés assimétricos. Um nariz fino demais para teu gosto. E uma bunda pequena demais para os padrões brasileiros.

Mulher tem que ter peito. E seios também.

Mulher tem que se fantasiar de homem turrão, vez em quando, mas nunca se esquecer de lacrimejar num filme bobo – mesmo que seja assistido pela décima oitava vez.

Mulher tem que saber falar eu-te-amo e eu-quero-transar.

Mulheres gostam de perfumes, ciúmes e gargalhadas. Mas odeiam cócegas. Cócegas a deixam vulneráveis. Mulheres gostam de toque, de voz ao pé do ouvido e de carinhos no lóbulo da orelha.

Se uma mulher gosta de você, você estará lindo com tua camisa mais cara ou com tua jaqueta mais brega.

Mulheres são mães e filhas. Mas nunca a trate como você se fosse seu pai.

Mulheres gostam de igualdade.

Mulheres são inocentes com aqueles pseudo-amigos que – no fundo, no fundo – querem roubar seus beijos. Não discuta. Nem tente ensiná-la a maldade que passeia pela cabeça de alguns meninos. Apenas aceite que a mulher que te acompanha é o sonho de consumo de vários outros por aí – nunca se esqueça disso – essa é a lição mais importante que você tem que aprender”.

- Hugo Rodrigues.